A educadora Thaís Santos, de 31 anos, entregou o conforto do seu lar para embarcar para a África, com a missão de alfabetizar crianças e levar o amor de Deus aos corações necessitados de fé e esperança.
Você deixaria o conforto de sua casa, a família e os amigos para se doar pelas vidas de pessoas da África, que vivem em estado de miséria? Foi isso que a pedagoga, Thaís Santos, decidiu fazer em 2007. Antes disso, ela teve a oportunidade de fazer uma viagem de curto prazo à Guiné Bissau em 2006 (país africano) para conhecer um projeto idealizado e mantido por muitos brasileiros, na área de educação. “Em 2006 não foi o tempo de permanecer lá por grande período, então voltei ao Brasil e no final de 2007, recebi um convite de uma brasileira que estava abrindo uma escola comunitária de ensino fundamental e necessitava de uma pedagoga”, conta Thaís.
Com a proposta em mãos a pedagoga que também é membro da Igreja Batista Nova Aliança de Indaiatuba, decidiu unir a proposta pedagógica com missões evangélicas. “Levei a proposta ao pastor Ademir Machado da Silva, e então unimos os propósitos. Em fevereiro de 2008 embarquei rumo a Moçambique para ficar dois anos por lá”, explica a missionária e pedagoga.
Moçambique guardou grandes surpresas para Thaís, algumas felizes e outras tristes, entre essas também as impressionantes, que logo no início impactou a jovem. “O que mais me impressionou quando eu cheguei foi a alegria deles, mesmo em meio a tantas dificuldades e miséria, havia sorriso nos rostos”, ressalta.
Thaís se alojou em Dondo, uma cidadela do estado de Sofala, em Moçambique e o trabalho educacional desenvolvido, não era um ‘bicho de sete cabeças’ para uma pedagoga profissional, “Havia a necessidade de treinar os moçambicanos locais, bem como desenvolver projetos para que eles pudessem dar continuidade. Trabalhei também em aldeias na área de ensino e alguns estudos foram ministrados na capital”, relata Thaís. Porém, as dificuldades dentro da cultura e a situação de vida em que aquele povo se encontra foram alguns obstáculos no meio do caminho que trouxeram um pouco de dificuldade. “Algumas coisas não estamos acostumados a ver, são muitas pessoas que ficam sem comer dias e dias, famílias e famílias morando em casinhas de barro cobertas de palha e quando vem à chuva leva tudo e não tem onde morar, crianças que andam quilômetros e quilômetros para irem à escola amassando barro, descalças e muitas vezes com a mesma roupinha, toda a semana”, descreve a missionária e continua. “Outras que aos 4 anos de idade já tem responsabilidade de cozinhar em casa e ir para a roça trabalhar, nossas crianças não fazem isso! Mulheres sob um jugo pesado e enfim, ter que conviver com essa realidade foi a parte mais difícil. Muitas vezes, via e orava por elas ao final do dia, com muitas lágrimas nos olhos”, fala com emoção.
Além da condição social outra dificuldade pairou sobre a missionária, a malária, Thaís afirma que os piores dias vividos em Moçambique foram relacionados a essa doença que muitas vezes chega a ser fatal. “Em agosto de 2009 perdi um aluno de 11 anos, que se chamava Domingos, ele contraiu malária cerebral, que é uma malária mal curada que subiu para a cabeça, e quando isso acontece há poucas chances de vida; foi trágico, eu não esperava ter que enterrar um aluno naquela terra”, narra Thaís e complementa. “Logo depois do enterro fiz um exame e foi constatado que era eu quem estava com malária desta vez. Foi um desespero, lembrei do Domingos e chorei, pois eu também poderia morrer. Então comecei imediatamente a medicação, não precisou de internação e após dez dias, graças a Deus já estava curada. Fiquei com a saúde bem debilitada, mas venci essa terrível doença que tanto mata na África”, salienta.
Mas em meio às tristezas, Thaís não se deixou abater e conseguiu levar alegria, esperança e fé para aquela nação e junto com isso o sentimento de realização sobressaiu em meio às lutas. “Um dia muito feliz aconteceu quando conseguimos completar o valor para a compra de uma geladeira e de uma TV para a escola, ver a alegria das crianças e funcionários com os olhos paralisados ao ver os equipamentos entrando na escola foi uma grande alegria. Eles não possuem em sua maioria essas coisas em casa e para eles foi um grande presente de Deus! Os valores vieram do Brasil, de pessoas simples que abraçaram a causa diante dos meus apelos via e-mail”, lembra com alegria.
A missionária relata com júbilo que seus valores mudaram depois de viver dois anos em outra cultura, e a maior alegria em realizar ações beneficentes não podem ser vistas e sim sentidas. “Ver os sorrisos das crianças, a satisfação deles em saber que são importantes para alguém é a melhor sensação. Um dia o jardineiro da escola disse: "Eu agradeço muito a Deus por ter tirado você do seu país, para fazer tanto por nós. Ele ama a África". Ouvir isso não tem preço!”, relata emocionada.
Thaís deixou na África uma equipe capaz de levar adiante a escola, com uma diretora, um coordenador e projetos pedagógicos em andamento. “Mas há aquela semente plantada que não se vê, mas um dia germinará, são as coisas plantadas no coração! Valores de vida, esperança no amanhã por terem Deus como Pai, isto é incalculável, acredito que estas sementes são minha maior alegria em fazer missões”, finaliza.
Laís Fernandes - jornalista