Meu filho não come!


Quantas mães e pais sofrem com a mesma preocupação. E não é por menos: crianças na idade pré-escolar, entre 2 e 5 anos, costumam comer menos por diversos motivos.
A princípio, o apetite realmente diminui nessa fase porque, ao entrar no segundo ano de vida, a velocidade do crescimento da criança diminui, e, por consequência, sua necessidade de calorias diárias também. Isso reflete na fome da criança, ou seja, o apetite diminui.
Além do fator fisiológico desta etapa de crescimento e desenvolvimento, as crianças apresentam o que se costuma chamar de neofobia, isto é, recusam-se a consumir novos alimentos na primeira vez em que são oferecidos, deixando os pais bastante inquietos. Nesses casos, o alimento novo não deve ser excluído da alimentação, mas sim oferecido em outros momentos, sem forçar, até que ela espontaneamente sinta vontade de prová-lo.
Outro comportamento típico da criança que começa a andar é a curiosidade. Tudo é muito novo, têm tantas coisas para serem vistas, tocadas e aprendidas que nesta fase, em que está mais independente, a alimentação acaba ficando em segundo plano.
Os pais podem inclusive se aproveitar desse momento de intensa curiosidade para chamar as crianças para a refeição, colocando no prato alimentos coloridos e variados que atraem a atenção e despertam o apetite sem deixar de incluir alimentos de preferência da criança. Convidá-las para participar do preparo da refeição e montagem do prato é também uma ideia para estímulo.
De fato, o tamanho do estômago dos pequenos não é o mesmo de um adulto; portanto, deve ser colocada pouca comida no prato, e se a criança pedir para repetir coloque um pouco a mais; as sobras devem ser respeitadas. Uma dica é evitar líquidos durante as refeições, já que ocupam um volume no estômago, e dessa forma as crianças se sentem saciadas, sem vontade de comer; podem ser oferecidos um pouco antes ou depois – sucos e água são importantes para manter uma boa hidratação.
Chantagens como “se não comer não vai ganhar chocolate” e a troca das refeições por guloseimas ou mamadeiras também devem ser evitadas, pois desvalorizam o valor do alimento. Se a criança não quiser comer, pode-se aguardar meia hora ou uma hora e oferecer novamente a mesma comida. Se ainda assim ela recusar, espere mais tempo até que ela dê sinais de estar com fome.
Assim como os adultos, o apetite da criança varia, e isso é normal. No entanto, é importante estabelecer uma rotina, horários para as refeições com intervalos de duas a três horas. E nada deve ser oferecido nesses intervalos para não atrapalhar a fome. Ser firme com a criança, mas não extremamente rígido, para não deixá-la angustiada. Um chocolate fora de hora de vez em quando faz bem! 
Diante da inapetência dos filhos, os pais costumam demonstrar sentimentos de perda de controle, estresse, incompetência, culpa e frustração.
No entanto a recusa alimentar pode ser encarada como um fenômeno normal e esperado, desde que não cause danos secundários como retardo no crescimento e/ou deficiências nutricionais – o que pode ser diagnosticado em consultas com pediatras e nutricionistas. Devem estar atentos sim à alimentação dos filhos, porém tomar cuidado com preocupações exageradas.
“Como é possível uma criança que a mãe informa que não come nada, nada, nada, possa estar em pé, brincando, correndo e sem sinais de desnutrição?”

 

Ana Cristina Amgarten Tiengo
Estudante de Nutrição da USP
ananutri@usp.br

 

     
 

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