É difícil imaginar algum cidadão de Indaiatuba que nunca ouviu, leu ou assistiu uma notícia policial preparada por Rubinho Queiroz. Simples, objetivo e às vezes engraçado, o jornalista Rubens de Queiroz Filho, 50 anos, transmite as notícias policiais de Indaiatuba de maneira impar.
Nascido em Cosmópolis, Rubinho migrou para Indaiatuba em 1972. Ingressou na profissão de jornalista em 76, na Rádio Convenção, e desde então é um profissional apaixonado. “Depois de um tempo, quando abriu a Rádio Jornal em 1981 a Aydil Bonachella me convidou para trabalhar e a primeira transmissão externa da Rádio Jornal, foi eu e a Aydil que fizemos do centro da cidade”, comenta Rubinho.
O jornalista ficou municipalmente famoso depois que iniciou seu trabalho no canal de televisão local, TV Sol, mas antes disso a sua primeira experiência na área policial, aconteceu no Jornal Votura em 1987. “Eu comecei a cobrir esporte no Jornal Votura e meu ingresso na editoria de polícia aconteceu por acaso, um dia não tinha ninguém para fazer as matérias policiais, então eu comecei a fazer e não parei mais”, fala o jornalista.
Mesmo totalmente envolvido na carreira de jornalista, Rubinho parou de escrever matérias por cinco anos. “Nesse período eu fui trabalhar em uma indústria em Indaiatuba mesmo, e não atuei mais como jornalista, mas depois eu voltei na profissão”, explica.
No ano de 1996, Rubinho recebeu uma proposta para trabalhar na TV Sol para continuar a cobrir o esporte da cidade e então voltou na atividade jornalística. Um ano depois surgiu a ideia de fazer um programa policial. Aproveitando a experiência que adquiriu no Jornal Votura, Rubinho começou a apresentar o Linha de Frente. “Como a cidade não era muito violenta nesta época o programa era mais uma prestação de serviço e foi assim até em 2001, quando mudou a direção da TV Sol e fizeram uma pesquisa para ver qual era o programa de maior audiência e o resultado foi o Programa do Rubinho que nem existia, era o Linha de Frente. Então mudamos o nome do programa e foi assim que surgiu o Programa do Rubinho e ficou a marca registrada”, conta o jornalista.
Foi então que a população indaiatubana acompanhou o trabalho do Rubinho pela televisão e acabou se familiarizando com as matérias policiais exibidas na TV Sol, assim, Rubinho Queiroz virou uma figurinha carimbada na cidade e passou a receber o carinho do público em meio de mercados, pelas ruas e bancos. “Quando estamos no ar, entramos na casa das pessoas e ficamos íntimos então a abordagem na rua é como se eu fosse da família, pois eles se aproximam de mim como se me conhece-se e de fato me conhecem, mas eu não tenho esse conhecimento”, fala com entusiasmo. Atualmente Rubens Queiroz, apresenta ‘O programa do Rubinho’ na Rádio Jornal das 12h20 até às 13h de segunda a sexta-feira.
Diante desses 23 anos cobrindo os acontecimentos policiais, Rubinho já presenciou muitas histórias, na maioria triste, porém alguns casos chegam a ser hilariantes. “Realmente acontecem muitas histórias, me lembro de um caso de uma briga de casal que a mulher deu queixa na delegacia, passou uma semana e a mulher foi ouvida pelo delegado e durante o depoimento ela disse que gostava de apanhar e depois da primeira vez que apanhou ela gostou muito e sentia prazer nisso, então ela retirou a queixa e foi embora abraçada com o marido”, lembra Rubinho.
Ser repórter policial não é uma tarefa para ser exercida por qualquer um, é preciso ter coragem para enfrentar os diversos desafios do dia a dia, além disso, é preciso preservar a família e abrir mão de uma vida social ativa. “Realmente é preciso tomar cuidado, não frequento muitos lugares públicos, tento evitar ao máximo, minha família também não deixo em evidência, pois já recebi ameaças de morte. A primeira vez e a segunda eu assustei, mas na época da TV chegou uma hora que eu até falava que a pessoa tinha que pegar senha, pois já tinha 19 na frente”, comenta com carisma.
Vivendo nesse universo de ocorrências, é inevitável que o medo apareça e esse detalhe, Rubinho não esconde, ele afirma que em diversas situações sentiu medo e um desses dias ficou marcado no histórico de crimes da cidade. “Um dos casos que marcou a cidade de Indaiatuba e que eu senti medo durante a operação, foi no dia 21 de janeiro de 1999, quanto tivemos o primeiro assalto a agência bancária na cidade e quatro dias depois teve um assalto a um carro forte de uma outra agência da cidade, em que morreu o segurança do veículo e mais dois policiais e no mesmo dia teve uma apreensão de 400 kg de cocaína”, descreve Rubinho.
Mesmo que o medo bata a porta do jornalista policial, ele não se abala e afirma que não se enxerga fazendo outra atividade profissional. “É engraçado, comecei por acaso então fui me envolvendo e me envolvendo tanto, que hoje faz parte de mim, se eu não fizer isso parece que está faltando alguma coisa e não consigo me ver em outra profissão”, salienta Queiroz.
Os planos para o futuro, Rubinho não se esquiva em falar, para sua profissão o objetivo é dar continuidade ao seu trabalho na TV. “Estou torcendo pela TV Sol, para voltar ao ar e retornar o meu trabalho no ‘Programa do Rubinho’, além disso, desejo muita saúde para continuar atuando e o principal, tranquilidade”, finaliza Rubinho.
Laís Fernandes - jornalista