Se tudo no Amazonas é grande não poderia faltar uma pescaria neste lugar. Eu e alguns amigos saímos do aeroporto de Campinas com destino a Manaus, o objetivo era pescar em uma pequena cidade chamada Barcelos, que é cobiçada entre muitos pescadores esportivos do mundo.
Quando chegamos a Barcelos, uma equipe já nos aguardava para seguir viagem num barco hotel. Subimos quatro horas rio acima loucos para jogar a isca na água, mas como tudo era novidade, começamos a fazer aquelas perguntas básicas para o nosso guia, como pontos de pesca, qual a melhor cor das iscas e a média de tamanhos de peixes.
Após algumas horas navegando o barco parou, pegamos nossas tralhas e seguimos adiante com um barco menor. Aos poucos a ficha ia caindo, não dava para acreditar que íamos pescar em um dos lugares mais cobiçados pelos pescadores de todo o mundo.
Seguimos um pouco mais a frente e começamos a entrar em lagoas maravilhosas e não víamos a hora do nosso guia de pesca parar o barco para jogarmos a isca na água. Ao parar o barco eu e meu parceiro de pesca já estávamos preparados para dar um arremesso, sem saber o que podia estar por lá. Bom, sabia que era Tucunaré, mas não sabia o tamanho.
Nosso guia de pesca sugeriu de colocar uma isca de hélice para enlouquecer os gigantes, Acatei a ideia e peguei uma isca que sempre me acompanha nas pescarias (tucuna turbo da Moro), quando arremessei a isca e invadi o território, não tive dúvida que o ataque seria certeiro.
O peixe jogou minha isca mais de um metro para cima. A sensação foi única, voltei a ser criança. Fiquei impressionado com a força e agilidade do peixe, parecia um 4x4. Quando travamos uma batalha, alguma coisa sempre cede, seja a linha, garateia, argola ou pitão, e nesta hora o equipamento faz a diferença.
A briga com ele foi impressionante a isca correu em direção ao meio do lago, a fricção da carretilha chegava a assoviar. Tentei travar com o dedo mais foi em vão, o peixe nem dava importância. Com um pouco de paciência e muito cuidado, fui convencendo o astro da Amazônia a tirar uma foto comigo. Embarcamos um belo tucunaré-açu de 9kg, tiramos algumas fotos com ele e retornamos o peixe na água. O fim do dia chegou e voltamos para o barco hotel, loucos para comentar sobre a nossa pescaria e saber como foi a dos outros companheiros.
Ao chegar no barco hotel já avistei a alegria de alguns, todos com máquinas fotográficas apresentando seus troféus. Havia Tucunarés de sete até dez quilos, e a conversa se estendeu até o início da madrugada.
Ao iniciar outro dia, todos foram para o refeitório tomar um bom café da manhã e as conversas ainda eram sobre o peixe que quebrou a isca, que estourou a linha, ou abriu a garateia, e a isca que pegou mais. Todos estavam loucos para ir depressa pescar.
O nosso guia de pesca combinou de levar eu e meu parceiro em um lago próximo a uma aldeia indígena e não foi fácil chegar lá. Havia lugares que tínhamos que cortar galhos, descer do barco para empurrar, pois o rio estava muito baixo, foi uma verdadeira aventura de pescador. Enfim chegamos ao paraíso prometido, eu ainda estava escolhendo a isca que iria usar e meu parceiro já estava tirando o seu primeiro Tucunaré do dia.
Foi incrível! A cada quatro arremessos saía um tucunaré, os peixes só faltavam tomar a isca da boca do outro e não tínhamos nem tempo para tomar água, pois era um atrás do outro e todos acima de 6 kg. Em muita pescaria o pescador reclama que está cansado de arremessar, mas nesta já estávamos cansados de tirar peixes da água. Neste dia nem retornamos para o barco hotel para almoçar, preparamos ali mesmo um peixe a moda do pescador.
À medida que subimos o rio, os resultados iam se repetindo e o que mais impressionava era o tamanho dos Tucunarés capturados. Os dias seguintes foram cheios de ataques fulminantes, o Rio Negro e seus afluentes foram inesquecíveis. Parece um labirinto em que qualquer lugar onde se pare, encontra grandes Tucunarés-açu. Posso afirmar aos meus colegas, nunca tinha visto algo assim.
Realmente a Amazonas é gigante, até nos pequenos detalhes, e é por isso que tenho orgulho de ser brasileiro.